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Toda cura para todo mal, está no Hipoglós, no Merthiolate, Sonrisal ♪

O tempo não cura.  Ao invés de ser o “remédio milagroso” de resultado exato, é um placebo. Sua eficácia está diretamente ligada à fé do doente sobre seu resultado de cura.  Nele, há um processo de sequência pós-perda: protesto (ira, não aceitação, reação impulsiva externa e interna), desespero (um período de dor, anelada à cegueira circunstancial), desapego (tornar-se desapegado, impressão de já não se importar com a ausência da figura à qual estava ligado)- O filme UP retrata bem um exemplo de perda e esse processo pós, nitidamente.  Impressão essa que, mesmo já distante da dor, sempre será acompanhada da falta e da saudade. Sendo assim, a afirmação de que “o tempo cura” é uma falsa sensação que a mudança de costumes trará ao longo do tempo ao passivo de perda. Por quê?  As lembranças nunca serão exterminadas, elas tratarão de fazer seu papel “troll” trazendo à tona um histórico significativo, pois tudo o que foi vivido com algum sentimento extremo será marcado na memória. A única coisa que vai mudar é a forma de viver com o que não se tem mais, a sua ressignificação como anestesia.