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107 passos

WTF?!


Um soco no estômago, um tapa na cara, ou qualquer adjetivo que descreva o quão mal pode deixar uma pessoa drama musical do polêmico Lars Von Terrier coroa dinamarquês que, de tão grande drama em cima de questões do existir em muitos de seus filmes, chega a ser sarcástico por nos fazer pensar SEMPRE de forma profunda e enlouquecedora quando acaba a sessão, codificando em suas entrelinhas algo do tipo: "se mate", lançado em 2000, Dancer in the Dark conta a história de uma mãe solteira portadora de uma doença hereditária na visão que tenta impedir que seu filho fique cego como ela está ficando. Tendo isso em vista, como cerne de sua felicidade e resolução da sua decisão de tê-lo mesmo sabendo que ele teria a mesma doença, ela trabalha o máximo que pode para economizar e pagar sua operação. Só que quando um vizinho amigo passa por problemas financeiros e a rouba, têm-se início uma série de trágicos acontecimentos que mudarão para sempre os rumos de sua vida. Daí, conhecendo Terrier, você já tira a duração do filme e o desenrolar com “n” pontos e conflitos psicológicos. Este é mais um de seus filmes com estilo cinematográfico de câmera de mão (amo!) que intriga a quem vê e traz à tona questões existenciais despontando os dois lados da moeda de um só homem e das várias facetas da vida. E seus finais, é claro, de impacto. Neste, 107 passos para tirar o ar.

Fiquei remexida. O longa me deixou cabisbaixa, abatida, mofina, emputecida. Refletindo, não sai da cabeça o quanto o ser humano é medíocre, banal e extremamente superestimado (coisas que a maioria de nós sabemos, até, mas tapamos os olhos – metáfora da cegueira no filme - para não enlouquecer e ver além do que já se viu,  porque não faz diferença enxergar mais). E aí vem Terrier, como de costume, te trazer de volta ao paredão das questões reais da vida e falar: não há como fugir.

Bjork eu te amo , além de cantar, compôs as músicas, e sua atuação antológica me arrebatou. Ver sua personagem sorrindo nos momentos mais tensos e melancólicos, junto à sua amargura angustiante, quando não tinha mais forças para sorrir, fizeram meus olhos ameaçarem lágrimas mas não me intimidei, mantive-me forte, até a última cena e...é, despenquei enxurrada. A personagem com seu jeito simples, de se alegrar com tudo, mesmo passando por situações horríveis, sua busca por sons que motivassem seu existir, se libertando em um mundo paralelo (a perfeição do real para si, mas não de modo inatingível) de realização com dança e música, fazendo que as coisas boas triunfassem... foi magnífico e transformador!





 "Dizem que é a última canção,
 Eles não nos conhecem; você vê.
 É apenas a última canção
 Se deixarmos que seja."




A Ira de um Anjo

 Talvez você já esteja acostumado a ver casos de abuso infantil, pela TV ou ouvir da boca do povo, ou ainda, vivenciado ou tido alguém próximo que passou por isso. Mas, ouvir relato do caso pelo abusado com tamanha sinceridade é raro. Os abusados tendem a se fechar ao trauma, principalmente por serem pressionados à omissão (seja pelo abusador ou pela sua consciência traumática). Essa triste realidade contribui para distúrbio comportamental e psicológico, interferindo em sua relação com o meio e suas relações interpessoais. Realidade essa que pode estar mais próxima do que imaginamos.

 A Ira de um Anjo (Child of Rage) é uma compilação das fitas de terapia do Dr. Ken Magid, um psicólogo clínico especializado em tratar de crianças que foram severamente abusadas, que não se ligam afetivamente à outras pessoas, que não podem amar ou aceitar o amor, que não têm consciência dos seus limites, podendo ferir ou matar sem remorso algum. 
Quando descobri esse documentário, confesso que ele me chocou profundamente, pois não tinha tamanha noção dos efeitos devastadores de abuso em uma criança, coisas que a TV não mostra, e que os poucos programas de política pública, por não possuir investimento o suficiente, não tem domínio absoluto para agir na população, tratar e conscientizar da fatídica realidade. Sim, as vítimas podem ser ajudadas, e os que estão à sua volta trazem um papel fundamental. 

 Essa é a estória de uma menina de 6 anos e meio, chamada Beth:





Er...





Um momento singelo hoje: garota de 12 anos, chorando muito, desejosa por uma conversa.

- Que foi, doce?

- (lágrimaaass e lágrimaaass... testa apoiada na mão)

- Vou esperar até quando tiver preparada pra falar, tá?

- Tia, tenho 12 anos e minha menstruação ainda não chegou! Eu tenho muita vergonha de falar essas coisas... Mas meu medo é maior dela me pegar desprevenida! E se estou numa festinha, e de repente ela chega e todo mundo...tipo...ficar me zuando?! O Q VOU FAZER? Você sabe o que é isso? Uma coisa estranha me atormentar dessse jeito, não avisa a hora que vem e eu ser obrigada a tê-la?!

E, numa fração de segundos... voltei a um sentimento de infância (é...eu tive sensações estranhas na minha primeira mestruação tbm! ^^ ). Diminui de posto e de nomes que dou à mim mesma, naveguei no meu ser e vi o quanto sou comum, uma criança crescida somente. Que também tenho medos, principalmente do desconhecido. Vi a falta que faz a inocência, a 'liberdade' (liberdade dita aqui como sem obrigações de 'adulto' e vivida em atitudes espontâneas)...
As preocupações e as catástrofes de "gente grande" angustiam e endurecem o coração. O individualismo,o egoísmo e a soberba se consolidam aí. Com isso, se torna difícil dar valor e ouvir à quem está iniciando na jornada que você mesmo já sabe de "có e salteado" (também pode-se perceber esse caso na maioria dos relacionamentos de pais e filhos) ; com as cerviz enrijecidas não pausamos para olhar pra dentro e ver que temos os mesmos medos, muitos outros até, e que não somos super-heróis ("Nem sim, nem não, muito pelo contrário!"), mas demasiadamente humanos ...
Tirando o grande estrago que o crescer pode trazer, é tão interessante ver as coisas de cima, com olhos de quem conseguiu superar o mesmo ocorrido... Ufa!


E, olhando para ela, eu sorria de canto de boca, enquanto contava minha experiência vivida na mesma idade e mostrava que não era tão desastroso menstruar e qual a sua importância para a mulher (apesar de ter seu terrorismo sim: A MALDITA TPM e o incômodo de ter sangue escorrendo de dentro de você sem parar! Fora as escapadas que a QUERIDA menstruação dá, podendo lhe causar grandes constrangimentos diante das pessoas)...

Ela sorriu:
- Tia, por quê você está rindo?

E eu PENSEI:
- Porque você me mostrou que a vida é muito mais do que trabalho, relacionamentos problemáticos e contas à pagar... Que tudo é válido, todas as sensações são válidas, e o que importa de verdade é o que você pode ser depois de tudo isso...



PS.: Pra você entender um pouco mais sobre a tal da TPM -
http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=247&sec=14

Strangers...


... Como se fossem letais*, porquê?


* Uma mulher que tem transtorno mental e se veste mal entra no ônibus, todos se afastam, olham estranho e gritam com o corpo: 'nem chegue perto'! ; um mendigo, após receber gratificação, pede a permissão de beijar uma mão... o alguém que lhe concede o desejo, ergue a mão com hesitação e, encostando o queixo no pescoço, disfarça um sorriso amarelo tentando disfarçar o nojo.

[Exemplos simples da semana. Agora... é só acentuar, multiplicar, variar e eis a mazela que se dissemina em nós.]

=T

RELATOS DE UMA MENTE CENSURADA




* Conhecendo um dos mundos particulares ... Não se arme a seus pré-conceitos, mas se abra para a 'sophia' da 'psiqué' (conhecimento da alma, mente) de um dos transeuntes do nosso habitat.




Posso me apresentar como Sofia Zeyg. É melhor assim.

Sábado, 31 de Julho de 2010
Sim...mais uma vez voltei minha mente ao pensamento que tanto fugia: Será que Deus se disponibiliza a curar doenças mentais degenerativas?
Minha avó com Alzheimer foi o estopim para esse infame pensamento, que me persegue até hoje. Ela não fala com propriedade nem de forma autônoma, repete constatãntemente o que o outro diz; seu vocabulário sempre é o mesmo; não demonstra sentimentos, seu semblante é frio e seu olhar, vazio; a cada dia que passa se torna mais agressiva e não há um porquê e nem ela sabe comunicar o quê; perdeu por completo a motricidade; esqueceu os nomes dos objetos, das pessoas, dos familiares, não reconhece os semblantes. Fico um pouco inconformada e tremendamente triste ao ver pessoas deixarem de ter o que há de mais valioso para um homem que é o entendimento e o poder de se comunicar com o mundo por essa tradução do cognitivo, que acaba se convertendo em linguagem (verbal e não verbal).
Sinceramente nunca ouvi um relato de uma pessoa afetada na sua faculdade cognitiva que tenha sido curada...Nunca ouvi, e nem vi.
Será que há uma regra de Deus para não curar tais pessoas? Ou talvez não seja necessário curá-las, sei lá...Porque (parando para analisar), a maioria das pessoas que ficam dementes ou “loucas” tem um senso religioso: falam o nome de Deus sozinhas, rezam e oram (mesmo que inconscientes). Ainda que todas elas sejam esquizofrênicas, por quê (em sua maioria) direcionam-se ao reino espiritual, às entidades do céu e inferno? Me parece um grande mistério.
Muitos viram pra mim e falam: “Não se deve questionar Deus, nem querer saber de coisas misteriosas.” Pura hipocrisia! Um bando de hipócritas e fracos que dizem que não pensam, não questionam, mas na verdade fogem de seus próprios pensamentos que podem acabar com sua fé. Aliás, que fé que eles têm? Se na verdade tivessem fé, questionariam, não teriam medo de “desventuras em série”, mas se aprofundariam em busca dos próprios mistérios de Deus, aos quais Ele mesmo é quem determina mostrar ou não. Não acredito que a fé seja tão burra assim, a tal ponto de fugir de perguntas (se ela já tem sua Verdade maior, pra quê fugir de questões do meio?). Não é duvidar da Verdade, mas trazer questões da relação dessa Verdade com o meio. Mas pelo contrário, a fé é tão certa e certeira que obtém suas convicções a partir do aprofundamento no mistério do vácuo existencial. A fé desventura o que não existe, o mistério das coisas que não se vêem, obtendo a certeza do presente e do por vir. Se as pessoas não fugissem de suas questões mais profundas e buscassem a resposta em Deus e na Sua Palavra, talvez muitas não se deixassem ser levada pela Tsunami das dores e injustiças da vida, mas estariam consolidadas na Rocha (em um conceito Rochoso) e nunca seriam levadas por ventos de doutrinas, “achismos” e incredulidade.
Crer é pensar.
Pra quê tentar negar a realidade? Penso que seja necessário trazer Cristo para o mundo real, e não mantê-lo em um céu intocável e tentar viver em si mesmo uma vida ilusória como se fosse um pequeno deus, distante de tudo e de todos. Essa farsa não pode durar por muito tempo e o baque da queda dessa transcendência pode ser mortal.
As questões não me fazem duvidar do que creio, mas me firmam nEle e mantém viva em mim a certeza de que Ele está no controle de todas as coisas e que ao ser humano não está destinado o poder e a equidade.
Diante de tudo isso, o que me mantém viva, é a transcendência a um Lugar mais alto do que eu... "Em cima da Pedra mais alta". E é lá que vejo além e busco esse além... Pensando diferente da sociedade doente e respirando outros ares. Ares que me oxigenam e que por mais que rasguem meu pulmão (por ser ar novo e intenso) pelo menos purifica meu ser.



Meio relato de um caso muito sério

Na pracinha, relato de uma mãe*, ao ver suas duas filhas arrancando flores e montando vários buquês:

- Meu Deus, lá vem essas meninas com a neurose de colher flores para me dar! - com os olhos arregalados, falando com bastante expressividade bucal e baixo . Onde elas chegam caçam flores! Eu tenho pânico já! Olha lá, olha lá! Até em casa elas me cercam com flores de papel dentro de um copo com água! Assim que elas viram as costas eu jogo fora... E o pior é que elas fazem isso todo dia quando têm um tempo vago...e ainda me entregam com sorriso no rosto, parece um bando de psicopatinhas!! Fico com medo delas! Por que essa obssessão por flores? Será que isso tem algum significado?



Snif...Eu entregava flores á minha mãe quando criança... o_O


*Ela já remendou a calça do esposo com retalhos e fita adesiva!