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Nada pessoal

Numa viagem de vacations, ela. Numa rotina de desbravar, ele. Ela, tolhida, colocada em segundo plano recentemente por quem nunca imaginaria que a trocasse por outra (ainda mais por aqueles motivos obviamente sexuais), fechada e cansada dessas coisas de "ter alguém do lado" e acreditar no sentimento puro das pessoas, frustrada com essa realidade rara. Ele, não se sabe ao certo... Seu coração era tão cheio de vontade de amar que não saberia de onde veio ou para onde ia, ele estava ali, pleno e desperto. Fogueira, violão, música (sim, esta mística sonora com suas ondas vibrantes capazes de mexer com o momento pessoal ou coletivo de cada um), pessoas, barracas, cheiro de terra. Lua na fase que ela a apelidava de Cheschire ( gato personagem do livro de Alice - considerada sua favorita e semelhante). Pessoas juntas e alegres produzindo muitos sons, gargalhando, se movendo em demasia e abruptamente, cantando e contando, simultaneamente. Ela, aluada para a lua de seu conto. Ele, tocando e olhando para alguém que instigava por ser diferente, ela. Se aproximou. Ela, não se moveu. Ele, sorriu. A partir dali uma esfera nova os envolveu, numa bolha a qual ninguém poderia entrar ou entender. Ele a olhou nos olhos e captou tudo. Ela, abaixou a cabeça e ousou hesitar com uma palavra de desculpas aprendida pelo mecanismo social. Ele, tão cheio de carinho e compreensão, sorriu e interrompeu o início de palavras vãs dela com uma música que emergiu da sua verdade sincera, a mais sincera que ela já poderia ter visto e ouvido. A música fazendo seu papel, invadindo, e pelas retas do coração tocando-a. A partir dali ela começou a viver um amor puro e simples, livre de peso e segundas intenções. Caminharam juntos, assim, sem planejar ou pestanejar.  Sabe quando tudo te faz lembra a pessoa? Ela pensando nele. E quando os trejeitos do outro te fazem rir sozinho, vindo à mente sempre? Ele pensando nela. Dominaram a arte de supervalorizar o que mais tinham de incomum, detalhando poesia em tudo que podiam enxergar do outro para não se deterem em defeitos que costumam forçar à insuportabilidade. Os defeitos passavam a ser musicados por outro tom, soando bem aos ouvidos. Construíram sua história espontaneamente, baseada simplesmente em amar e ser amado, não vivendo a doença da sociedade e nem deixando de viver o mundo à sua volta, sendo vívidos em intensidade um para com o outro, tornando cristalino o caminhar. Mais do que o amor eros, irrompia em seus corações um fraterno amor, desses que custa ferir e acabar. Correção era sinônimo de amor e havendo machucado havia cura, numa fração de segundos. O coração dela era lapidado enquanto o tempo passava e os tecia. Ela, coragem de desbravadora. Ele, medo de ser tolhido e a perder. Sim, o acaso trouxe outros ventos, os quais só ele pôde enxergar primeiro. A vida dele teria que seguir por um caminho diferente do dela, e ela não poderia o acompanhar. Ela soube por derradeiro...
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 *Nota pontuada - O ponto à direita permite prolongar a duração de uma nota



Uma sensação difusa e intensa toma conta de ambos. Ela (...) Ele (...)

Amanheceu. Sol do meio dia. Ela estava ali, Ele lá... E uma música do silêncio que os une, como um tratado de eternidade. Numa rotina de desbravar, ela. Numa viagem sem vocação, ele.






Ânimo


Mar de sensações, maré de ânimos. É o que sou levada a sentir... De todos os tipos e nuances. Faça um teste, ouça cada música de olhos fechados depois de ler o título da música. De forma minimalista, o piano, os instrumentos de corda, o silêncio, as mixagens, unidas, se entrelaçam e se confundem em si numa crescente, trazendo uma sensação profunda de saudade, efemeridade, e mergulhando sua imaginação nesse mar denso de som. As guitarras dão um ar etéreo e distante, as águas correm, o vento leva, a batida te impulsiona como o batuque do coração, o orquestral explode o peito.
Sendo fã de post rock e música experimental, ouvir sua composição remeteu à sonoridade de Sigur Ros e Amiina Kuhr... Vibrei (inclusive por esse talento ser brasileiro)! Quando estava ouvindo algumas músicas no SoundCloud (mediante meus finais de semana numa “terra estranha”, de busca por novidades musicais e downloads de filmes exóticos) num comentário ingênuo e extasiado expus, sem esperar confirmação, crítica ou resposta. Não é que estava certa? Achou um baita elogio e confessou que Sigur e Amiina são umas referências muito fortes pra ele.

Eis o Ânimo (download do álbum completo no final do post), trabalho do estudante de cinema de Niterói, Pedro Drumond. Feito em seu quarto. Talvez o ambiente tenha influenciado nesse tom intimista, reflexivo e transparecido um particular interno nas confissões. Uma das músicas do álbum se chama Animus Anima (no latim - mente/espírito e alma; para a psicologia Analítica de Jung - o arquétipo masculino na mulher e o feminino no homem) e só pelo título já se confirma o tamanho da sensibilidade desse compositor.


Não adianta me olhar assim
Sem dizer o que quer de mim
Não consigo entender

Gostaria de poder ver 
O que dói tanto dentro de você
Então eu faria certo dessa vez



  
                            Download do álbum Ânimo