O tempo não cura. Ao
invés de ser o “remédio milagroso” de resultado exato, é um placebo. Sua
eficácia está diretamente ligada à fé do doente sobre seu resultado de cura. Nele, há um processo de sequência pós-perda:
protesto (ira, não aceitação, reação impulsiva externa e interna), desespero (um
período de dor, anelada à cegueira circunstancial), desapego (tornar-se
desapegado, impressão de já não se importar com a ausência da figura à qual
estava ligado)- O filme UP retrata bem um exemplo de perda e esse processo pós, nitidamente. Impressão essa que,
mesmo já distante da dor, sempre será acompanhada da falta e da saudade. Sendo
assim, a afirmação de que “o tempo cura” é uma falsa sensação que a mudança de
costumes trará ao longo do tempo ao passivo de perda. Por quê? As lembranças nunca serão exterminadas, elas
tratarão de fazer seu papel “troll” trazendo à tona um histórico significativo, pois tudo o que foi vivido com algum sentimento extremo será marcado na memória. A única coisa que vai mudar é a forma
de viver com o que não se tem mais, a sua ressignificação como anestesia.
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RELATOS DE UMA MENTE CENSURADA

Posso me apresentar como Sofia Zeyg. É melhor assim.
Sábado, 31 de Julho de 2010
Sim...mais uma vez voltei minha mente ao pensamento que tanto fugia: Será que Deus se disponibiliza a curar doenças mentais degenerativas?
Minha avó com Alzheimer foi o estopim para esse infame pensamento, que me persegue até hoje. Ela não fala com propriedade nem de forma autônoma, repete constatãntemente o que o outro diz; seu vocabulário sempre é o mesmo; não demonstra sentimentos, seu semblante é frio e seu olhar, vazio; a cada dia que passa se torna mais agressiva e não há um porquê e nem ela sabe comunicar o quê; perdeu por completo a motricidade; esqueceu os nomes dos objetos, das pessoas, dos familiares, não reconhece os semblantes. Fico um pouco inconformada e tremendamente triste ao ver pessoas deixarem de ter o que há de mais valioso para um homem que é o entendimento e o poder de se comunicar com o mundo por essa tradução do cognitivo, que acaba se convertendo em linguagem (verbal e não verbal).
Sinceramente nunca ouvi um relato de uma pessoa afetada na sua faculdade cognitiva que tenha sido curada...Nunca ouvi, e nem vi.
Será que há uma regra de Deus para não curar tais pessoas? Ou talvez não seja necessário curá-las, sei lá...Porque (parando para analisar), a maioria das pessoas que ficam dementes ou “loucas” tem um senso religioso: falam o nome de Deus sozinhas, rezam e oram (mesmo que inconscientes). Ainda que todas elas sejam esquizofrênicas, por quê (em sua maioria) direcionam-se ao reino espiritual, às entidades do céu e inferno? Me parece um grande mistério.
Muitos viram pra mim e falam: “Não se deve questionar Deus, nem querer saber de coisas misteriosas.” Pura hipocrisia! Um bando de hipócritas e fracos que dizem que não pensam, não questionam, mas na verdade fogem de seus próprios pensamentos que podem acabar com sua fé. Aliás, que fé que eles têm? Se na verdade tivessem fé, questionariam, não teriam medo de “desventuras em série”, mas se aprofundariam em busca dos próprios mistérios de Deus, aos quais Ele mesmo é quem determina mostrar ou não. Não acredito que a fé seja tão burra assim, a tal ponto de fugir de perguntas (se ela já tem sua Verdade maior, pra quê fugir de questões do meio?). Não é duvidar da Verdade, mas trazer questões da relação dessa Verdade com o meio. Mas pelo contrário, a fé é tão certa e certeira que obtém suas convicções a partir do aprofundamento no mistério do vácuo existencial. A fé desventura o que não existe, o mistério das coisas que não se vêem, obtendo a certeza do presente e do por vir. Se as pessoas não fugissem de suas questões mais profundas e buscassem a resposta em Deus e na Sua Palavra, talvez muitas não se deixassem ser levada pela Tsunami das dores e injustiças da vida, mas estariam consolidadas na Rocha (em um conceito Rochoso) e nunca seriam levadas por ventos de doutrinas, “achismos” e incredulidade.
Crer é pensar.
Pra quê tentar negar a realidade? Penso que seja necessário trazer Cristo para o mundo real, e não mantê-lo em um céu intocável e tentar viver em si mesmo uma vida ilusória como se fosse um pequeno deus, distante de tudo e de todos. Essa farsa não pode durar por muito tempo e o baque da queda dessa transcendência pode ser mortal.
As questões não me fazem duvidar do que creio, mas me firmam nEle e mantém viva em mim a certeza de que Ele está no controle de todas as coisas e que ao ser humano não está destinado o poder e a equidade.
Diante de tudo isso, o que me mantém viva, é a transcendência a um Lugar mais alto do que eu... "Em cima da Pedra mais alta". E é lá que vejo além e busco esse além... Pensando diferente da sociedade doente e respirando outros ares. Ares que me oxigenam e que por mais que rasguem meu pulmão (por ser ar novo e intenso) pelo menos purifica meu ser.
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"Eu não sei na verdade quem eu sou... Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior..." (O Teatro Mágico).