Fases da vida ^^


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E me pergunto qual a diferença entre os humanos... 

Talvez a forma e a intensidade que cada um passa por elas.
Em tese, seres humanos com fases comuns à vida... mas em vivência, comumente humanos?

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Chapeuzinhos quando (não) crescem...


Entendendo as histórias que podemos ser...

"Vemos aqui que as meninas e, sobretudo, as mocinhas lindas, elegantes e finas, não devem a qualquer um escutar. E, se fazem-no, não é surpresa, que do lobo virem o jantar. Falo "do" lobo, pois nem todos eles são de fato equiparáveis. Alguns são até muito amáveis, serenos, sem fel nem irritação. Esses doces lobos, com toda a educação, acompanham as jovens senhoritas pelos becos afora e além do portão. Mas ai! Esses lobos gentis e prestimosos são, entre todos, os mais perigosos." Da obra original de Perrault (Histories ou Contes du Temps Passe, Avec des Moralités. Paris: Barbin,1967), in TRATAR, Maria. Contos de Fadas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.

" Se a criança não soubesse que há um lobo adulto rondando lá fora, não teria tranquilidade para ficar oculta sob o tecido, teria medo de nunca sair de lá. É o lobo que a fará sair de seu esconderijo.
[...]
Existem adultos que são completamente alheios às sutilezas eróticas que estão presentes na vida cotidiana
[...]. São aquelas mulheres ou homens que nunca percebem quando estão sendo olhados, dificilmente arranjam parceiros em função de que não sabem, nem rudimentarmente, praticar o jogo da sedução e se queixam de serem invisíveis, quando na verdade são é cegos para esse assunto.
Quando enfim algo acontece para esse tipo de inocentes, eles põem tudo a perder por só entenderem as coisas depois da noite ter passado. Muitas vezes, se envolvem em relacionamentos
em que são usados das mais diversas formas, já que a passividade infantil é a única modalidade de relação que têm a oferecer e sempre há quem tire proveito disso. [...]
A ingenuidade adulta é uma das mais sérias, causa uma série de embaraços, atrapalha ou inviabiliza a vida amorosa das pessoas envolvidas e, pior, geralmente não é reconhecida como um grande problema. A pessoa que a possui se sente pura e boa, enquanto os outros é que são cheios de hipocrisia e intenções escusas. Pois bem, uma provável fonte dessa ingenuidade provém de uma recusa inconsciente em admitir o preponderante papel do sexo na nossa vida.[...]
Acima de tudo, essas pessoas não querem saber da diferença dos sexos, já que o amor e o exercício da sexualidade são movidos por uma sensação de que somos incompletos, uma metade em busca da outra.
[...]
Aceitar a diferença dos sexos traz, como decorrência, a perda não só da inocência, como também da onipotência infantil. É difícil aceitar que há algo em nós que sempre dependerá do outro para ser conquistado. Uma vez sexuados, seremos para sempre incompletos. Por mais que um homem se conecte com seu lado feminino e vice-versa, sempre será o outro lado. Amar é...ser incompleto. Por isso, essa ingenuidade é defendida com unhas e dentes, para voltar a ser algo tão valioso como acreditávamos ser quando bebês e perdê-la é ficar à mercê do amor. Homens ou mulheres, por mais principescos ou poderosos que sejam, se estiverem em busca de algum amor, estarão lidando com a incompletude."
Corso, LInchtenstein Corso... Fadas no Divã: Psicanálise nas histórias infantis. Porto Alegre. Artmed, 2006.

Olho que tudo e nada vê...

Olhares por toda parte, não?!
Vê-se o que quer, mas não o que precisa. Eis o olhar condicionado.
O olhar pode por muitas vezes ludibriar...ninguém vê ao certo...! (Cegueira generalizada...Será que o mundo está de catarata?!)

Na verdade, o que nos faz enxergar (perceber e 'ler' o que é visto) não é o olho, mas o cérebro. É ele quem dá sentido ao nosso olhar, juntamente com a nossa subjetividade. Os olhos só vêem, não enxergam (parando para analisar, a massa humana vive na cegueira da razão, da sensibilidade)...
A visão interior se desenvolve quando diminuída a visão aparente.
O real está ali (ou não), sendo que cada um capta o que lhe é possível a partir da sua "abertura cognitiva" (permita-me dizer assim pelo fato de que, os 'bloqueios mentais' ocorridos por frustrações ou alegrias induzem a captação perceptiva e cognoscente de cada qual, limitando sua visão). Somos criaturas emocionais, então nossas percepções, sensações e experiências são carregadas de emoção pessoal. A visão é alterada por sentimentos fortes. Numa mesma situação, você estando triste ou revoltado pode não perceber sutilezas do meio, achar que o sol é forte demais e acreditar que todas as pessoas são desprezíveis; seu coleguinha, num estado de satisfação pessoal, em alegria, pode achar que você é um dramático e não aceita conceber a idéia de que você seja uma anta o suficiente para não ver que o sol está brilhando e chamando para uma linda praia (de preferência a Amaralina) para sorrir para as pessoas (seres humanos ansiosos pela relação interpessoal).
Os olhos são a janela da alma...
O ponto de vista, trazido pela configuração mental e emocional, é que move o interno.E você 'vê' o que carrega em sua história vivida dentro de si.

Por isso, é essencial tentar olhar o meio e a vida com olhos de uma criança... Criança que não tem conceitos pré-estabelecidos, que aprecia e observa as coisas como se tivesse sempre vendo pela primeira vez, se deliciando e reconfigurando sempre... Aberta para ver, enxergar, entender, aprender, vivenciar e palpitar...
A superabundância de imagens no cotidiano nos aliena a tal ponto, que somos incapazes de prestar atenção, de nos emocionarmos com a imagem. Não conseguimos ser mais comovidos pelas coisas simples, mas pelas extraordinárias.
É preciso comprar a idéia de sua vista, porém consciente de que você pode estar numa doce ilusão, para que não caia fatalmente... Tome como exemplo um deficiente visual, que pode enxergar além do que o que possui visão intacta. A visão é uma questão de escolha, e é um risco.
Pensemos na sutileza: O ato de ver e olhar não se limita simplesmente a olhar para fora, não se limita a olhar o visível, mas também o invisível (tanto para o lado bom como para o ruim).
Sei que muitas vezes é melhor nem 'ver' , para não sucumbir (eu faço isso várias vezes, para não sentir o que não quero). Porém é ideal enxergar além do que os olhos podem ver.
Um olhar pode mudar uma história ou vidas (para a morte, para a vida ou para UM VEGETAL - hehehe).