A Ira de um Anjo

 Talvez você já esteja acostumado a ver casos de abuso infantil, pela TV ou ouvir da boca do povo, ou ainda, vivenciado ou tido alguém próximo que passou por isso. Mas, ouvir relato do caso pelo abusado com tamanha sinceridade é raro. Os abusados tendem a se fechar ao trauma, principalmente por serem pressionados à omissão (seja pelo abusador ou pela sua consciência traumática). Essa triste realidade contribui para distúrbio comportamental e psicológico, interferindo em sua relação com o meio e suas relações interpessoais. Realidade essa que pode estar mais próxima do que imaginamos.

 A Ira de um Anjo (Child of Rage) é uma compilação das fitas de terapia do Dr. Ken Magid, um psicólogo clínico especializado em tratar de crianças que foram severamente abusadas, que não se ligam afetivamente à outras pessoas, que não podem amar ou aceitar o amor, que não têm consciência dos seus limites, podendo ferir ou matar sem remorso algum. 
Quando descobri esse documentário, confesso que ele me chocou profundamente, pois não tinha tamanha noção dos efeitos devastadores de abuso em uma criança, coisas que a TV não mostra, e que os poucos programas de política pública, por não possuir investimento o suficiente, não tem domínio absoluto para agir na população, tratar e conscientizar da fatídica realidade. Sim, as vítimas podem ser ajudadas, e os que estão à sua volta trazem um papel fundamental. 

 Essa é a estória de uma menina de 6 anos e meio, chamada Beth:





Toda cura para todo mal, está no Hipoglós, no Merthiolate, Sonrisal ♪

O tempo não cura.  Ao invés de ser o “remédio milagroso” de resultado exato, é um placebo. Sua eficácia está diretamente ligada à fé do doente sobre seu resultado de cura.  Nele, há um processo de sequência pós-perda: protesto (ira, não aceitação, reação impulsiva externa e interna), desespero (um período de dor, anelada à cegueira circunstancial), desapego (tornar-se desapegado, impressão de já não se importar com a ausência da figura à qual estava ligado)- O filme UP retrata bem um exemplo de perda e esse processo pós, nitidamente.  Impressão essa que, mesmo já distante da dor, sempre será acompanhada da falta e da saudade. Sendo assim, a afirmação de que “o tempo cura” é uma falsa sensação que a mudança de costumes trará ao longo do tempo ao passivo de perda. Por quê?  As lembranças nunca serão exterminadas, elas tratarão de fazer seu papel “troll” trazendo à tona um histórico significativo, pois tudo o que foi vivido com algum sentimento extremo será marcado na memória. A única coisa que vai mudar é a forma de viver com o que não se tem mais, a sua ressignificação como anestesia. 




Afogamento


 Uma vida. 
 Infindas pessoas.
 Vidas em uma vida.
 Vivências vividas.
 Vidas.
 Comuns incomuns.
 Senso.
 Sensor.
 Sensorial.
 Sentido.
 Sentindo...
 Condutor.
 Vivendo.
 Processando a vivência da vida sensorialmente  percebida.
 Vida da outra vida na sua vida.
 "Auto Vida".
 Interna Solidão.
 Sufoco "self alheio" (um caso em si, do/sobre o outro).
 Ebulição.
 Poder (?)
 Angústia.
 Fusão.
 Sendo. 
 Transmitindo.
 Comunicando.

 Vapor...


 A dor...


 Ao vão.